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Might of Ra - Remover o catalisador pode dar multa? – Foto: Vitor Lima/ Revista O Mecânico

Embora seja obrigatório em todos os carros a combustão vendidos no Brasil há décadas, o catalisador automotivo ainda é alvo de fake news. Ainda há quem acredite no argumento de que o catalisador rouba potência do motor. Mas segundo a fabricante de catalisadores Umicore, isso é algo do tempo do carburador.

“Naquela época, o catalisador, dependendo do modelo, poderia absorver poucos cavalos da potência do carro. Mas isso ficou no século passado”, explica o gerente sênior de Tecnologia aplicada da Umicore, Miguel Zoca. Hoje em dia, na verdade, é o contrário: tirar o componente é que diminui a potência do motor e ainda faz acender a luz de injeção.

 

Remover o catalisador pode dar multa de R$ 195,23 porque é considerado equipamento obrigatório 

Segundo o gerente de Vendas Sênior da Umicore, Cláudio Furlan, a retirada do conversor catalítico é catastrófica para o meio ambiente. “Esta ação transforma um veículo em conformidade com a legislação em um altamente poluidor”, pontua. Outro agravante gerado pela ausência da peça é a inconformidade com a lei. 

De acordo com o artigo 230 do CTB (Código de Trânsito Brasileiro), conduzir o veículo sem equipamento obrigatório ou estando este ineficiente ou inoperante, é infração grave, que rende 5 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do motorista e multa de R$ 195,23. Como medida administrativa, o veículo fica retido para regularização.

O catalisador é responsável por converter os gases poluentes gerados durante a combustão no motor em substâncias menos agressivas ao meio ambiente. O componente consiste em uma cápsula que contém um substrato, cerâmico ou metálico, com elementos ativos que transformam gases nocivos em água, gás carbônico e nitrogênio.

 

Vista em detalhe do Catalisador - Foto: Vitor Lima/ Revista O Mecânico

Vista em detalhe do Catalisador – Foto: Vitor Lima/ Revista O Mecânico

 

Ou seja, o componente é essencial para o controle de emissões de poluentes. Veículos produzidos a partir de 2014 possuem sondas de monitoramento do catalisador que retroalimentam o sistema de gerenciamento do motor com informações da combustão do combustível.  

“Por isso, a retirada do catalisador, além de afetar o desempenho do motor, uma vez que o sistema de combustão é calibrado e dependente do correto funcionamento da peça, não contribui para o aumento de potência do carro, pelo contrário”, explica. “Lembrando que os automóveis produzidos a partir deste período devem seguir a fase L6 do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores)”, comenta Miguel Zoca.

As sondas de monitoramento pré e pós catalisador mandam informações da composição do gás do equipamento à ECU (Eletronic Control Unit), e assim a relação ar/combustível na injeção eletrônica é precisamente ajustada para garantir a máxima performance do motor em termos de potência, dirigibilidade, consumo e emissões. Portanto, a retirada do catalisador, ou a não substituição da peça em mal funcionamento, resulta na perda de performance projetada para o veículo.

 

Imagem à esquerda do catalisador com o componente catalítico; Imagem à direita do componente catalítico removido - Fotos: Vitor Lima/Revista O Mecânico

Imagem à esquerda do catalisador com o componente catalítico; Imagem à direita do componente catalítico removido – Fotos: Vitor Lima/Revista O Mecânico

 

Inspeção veicular ainda não é obrigatória

Atualmente, a inspeção veicular não é obrigatória no Brasil, pois não há uma lei nacional regulamentada que garanta sua obrigatoriedade. Entretanto, a ação é de extrema importância para a preservação do meio ambiente e para a segurança do condutor.

“A inspeção veicular ajuda a identificar os veículos que foram alterados em relação à sua originalidade ou que não sofreram a correta manutenção. Esse procedimento protege o meio ambiente e evita a disseminação de práticas, como remapeamento do motor, extremamente danosas no contexto ambiental” enfatiza Furlan.

Cabe salientar que, mesmo não obrigatória, a inspeção veicular deve ser realizada conforme o plano de manutenção preventiva presente no manual do proprietário do veículo. “Sempre que constatar alguma anomalia no carro, como barulho no escamento e luz acesa no painel de controle, o motorista deve recorrer ao mecânico de confiança para sanar o problema”, pondera Miguel Zoca.

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