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No primeiro semestre de 2019, foram convocados mais de 1 milhão de carros para reparo

 

Dos 79 recalls registrados (entre todos os segmentos de produtos da indústria nacional) no primeiro semestre de 2019 pela Secretaria Nacional do Consumidor, órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, 60 deles corresponderam a chamados de automóveis. Ou seja: 76% dos recalls de janeiro a junho deste ano foram relacionados a veículos leves, com 1.159.903 unidades convocadas – o que inclui modelos nacionais e importados. Outros cinco chamados foram relacionados a caminhões e ônibus (22.394 unidades) e quatro a motocicletas (9.116).

Em quantidade absoluta de produtos, as convocações de automóveis no primeiro semestre deste ano ficaram atrás apenas do segmento de medicamentos: foram dois chamados na indústria farmacêutica, com 2.719.120 remédios recolhidos do mercado no primeiro semestre deste ano.

Nos últimos cinco anos, as convocações de automóveis corresponderam a 74% do total de chamados de toda a indústria brasileira. Entre 2014 e 2018, houve 517 campanhas ao todo – o equivalente a 103 recalls de veículos por ano e 8,5 chamados por mês. No mesmo período, foram convocados 72 recalls de motocicletas (10% do total de chamados da indústria) e 16 de caminhões e ônibus (2%).

Em quantidade de produtos convocados para reparo e/ou substituição, os automóveis também lideram a lista no quinquênio. Foram 9.504.580 de carros chamados para recall entre 2014 e 2018, o que equivale à média de 1,9 milhão de modelos potencialmente defeituosos por ano neste período. Para se ter uma ideia do quanto representa esta quantidade, a estimativa de frota circulante de automóveis no Brasil passou de 34.676.232 em 2014 para 36.880.447 em 2018, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Segundo o vice-presidente da entidade, Carlos Eduardo Lemos, a quantidade de campanhas de recalls na indústria automobilística brasileira não significa qualidade inferior. “O recall não deve ser visto como um problema de qualidade do produto, mas sim como um ato de responsabilidade do fabricante com o consumidor”, afirma.

Na visão do gerente de Novos Negócios da consultoria Jato, Milad Kalume Neto, houve avanço no processo de fabricação dos automóveis. “Nas últimas décadas observamos um representativo aumento na qualidade do processo produtivo, passando pelo desenvolvimento e aumento dos parâmetros junto aos fornecedores”, ressalta.

Porém, de acordo com o consultor da Jato, a redução no ciclo de vida dos modelos pode abrir brechas para o aumento no número de recalls. “Com menos tempo e o desenvolvimento ocorrendo substancialmente em ambientes virtuais, encontrar pequenos erros é um fato. Não que o uso computacional seja ruim, muito pelo contrário. Com ele é possível diminuir prazos de lançamento e custos. Mas, mesmo utilizando-se dos melhores e mais completos softwares, eles não conseguem mapear 100% das variáveis de um automóvel”, explica Kalume.

Menos da metade dos proprietários atende aos recalls

Apesar da liderança dos automóveis em relação ao número de campanhas no Brasil, o dado mais alarmante entre os números fornecidos pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública é o índice de atendimento – quando o veículo convocado é, de fato, reparado. Apenas 48% dos 9,5 milhões de automóveis chamados foram consertados.

Entre as 26 categorias de produtos listadas pelo relatório, os carros têm apenas o sétimo maior índice de atendimento, ficando atrás das categorias ciclomotores (64%), acessórios automotivos (63%) e motocicletas (51%), mas à frente de caminhões (39%), pneus (39%) e autopeças (15%).

Para o representante das fabricantes, o índice de atendimento deve melhorar após a entrada em vigor do Serviço Nacional de Registro e Notificação de Recall de Veículos, válido desde 1º de outubro último. Entre as principais medidas, estão a comunicação direta ao atual proprietário do veículo via Denatran e o aviso do documento de licenciamento para veículos que não forem reparados no prazo de um ano, entre outras.

“Países que adotaram modelos semelhantes, como a Austrália, elevaram as taxas de atendimento das convocações de 25% para mais de 80%. Não tenho dúvidas de que estas medidas vão ajudar subir os índices no Brasil”, revela o vice-presidente da Anfavea.

 

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