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Andamos (de carona) no Pulse Abarth, que terá motor 1.3 turbo de 185 cv e aceleração de zero a 100 km/h abaixo de 8 segundos

 

Revelado em pleno Big Brother Brasil no mês de março, o Pulse Abarth está em fase final de desenvolvimento e chegará ao mercado brasileiro no último trimestre de 2022. Em breve encontro com a imprensa no Autódromo de Interlagos, a Fiat começou a revelar os detalhes da variante do SUV compacto – que, sim, deverá fazer jus ao termo “esportivo”.

O Pulse Abarth traz o escudo da marca fundada por Carlo Abarth em 1949, e que após fazer história no automobilismo italiano se tornou uma divisão de performance dentro do então Grupo Fiat, hoje Stellantis. A marca já esteve presente no Brasil com o Stilo Abarth 2.4 (2002) e mais recentemente com o 500 Abarth 1.4 Turbo (2014), que traziam o característico logo do escorpião no lugar do emblema da Fiat. No exterior, outros modelos ganharam versões Abarth, como Punto e o esportivo 124 Spider.

Curiosamente, o Pulse não terá a marca Fiat nem no nome. “O nome do carro é Pulse Abarth”, avisa o Vice-Presidente Sênior da Fiat para a América do Sul, Herlander Zola. “Acreditamos na Abarth como um impulsionador de valor da marca Fiat para aumentar a gama de produtos aqui e na América do Sul”, complementou o executivo, reforçando que a Abarth será trabalhada como uma marca de nicho para o público que busca esportividade (o SUV Fastback, ainda não lançado, deve ser o próximo da fila).


Fotos: Divulgação

O Pulse Abarth terá o já conhecido motor GSE 1.3 turbo T270 com 185/180 cv (E/G) de potência e 27,5 kgfm (ambos os combustíveis) de torque. O câmbio será o automático epicicloidal de seis marchas da Aisin. Embora motor e câmbio sejam os mesmos de modelos nem um pouco esportivos da Stellantis, o Pulse Abarth será pelo menos 300 kg mais leve que um Jeep Compass 1.3, por exemplo. “Sem dúvida, o Pulse Abarth vai ter uma relação peso-potência muito interessante, das mais interessantes do mercado brasileiro”, afirmou o diretor de Marketing da Fiat, Hugo Domingues.

Os números oficiais não foram revelados, mas dá para se ter uma ideia comparando dados de outros modelos. Tomando por base a versão Impetus, e considerando que a diferença entre o motor 1.0 T200 e 1.3 T270 seja de 30 kg, o Pulse Abarth deve ter aproximadamente 1.270 kg de peso em ordem de marcha. Isso resultaria em uma relação peso-potência de ótimos 6,8 kg/cv. Para efeito de comparação, o descontinuado Renault Sandero R.S. tinha 7,8 kg/cv.

Graças à potência de sobra para o seu tamanho, a Fiat afirma que o Pulse Abarth terá aceleração de zero a 100 km/h abaixo dos 8s e velocidade máxima acima dos 210 km/h. Números muito dignos para um esportivo de fábrica produzido no Brasil. Mas a diferença mesmo parece estar no acerto dinâmico obtido pela engenharia local.

Mesmo com eixo de torção e freio a tambor (!), tem tudo para fazer bonito na pista
A Stellantis convidou um grupo pequeno de jornalistas a andarem de carona no Pulse Abarth em Interlagos durante a pausa dos treinos da nova Fórmula 4 brasileira – cujos monopostos trazem motores Abarth. Como as unidades colocadas à disposição eram de pré-série, e pequenas alterações ainda podem ser feitas até o momento da produção, alguns pontos não foram revelados como, por exemplo, o interior, que estava coberto.

Por fora, o padrão visual segue exatamente o que foi revelado em março: o escudo da Abarth no lugar da marca Fiat na grade frontal, para-choques dianteiro e traseiro mais musculosos, a saída de escape dupla e as rodas pretas com o escorpião da divisão esportiva dão o tom.

Um dos pilares da Abarth anunciados por Herlander Zola é a “direção provocante”, o que se traduz tecnicamente na preparação da carga e comportamento da suspensão, direção mais direta e calibração do trem de força para uma condução mais esportiva. E isso aparentemente foi seguido à risca no Pulse Abarth.

Na pista de rolagem dos boxes, ainda sob baixa velocidade, foi possível perceber o trabalho da suspensão “lendo” as imperfeições do piso bem mais significativamente que o Pulse convencional, mas sem trazer desconforto. Aqui é interessante apontar que os pneus 215/50R17 são maiores que os da versão Impetus T200, mas não tanto assim.

Ao sair dos boxes, a dinâmica apurada do modelo ficou evidente, mesmo sem estar ao volante. A carroceria não aderna como se espera de um carro “alto” e o comportamento em curva faz jus à proposta. O eixo traseiro é de torção, o que já era esperado (imagine o quanto custaria desenvolver uma suspensão independente só para uma única versão de nicho…). Mas os freios a tambor surpreendem à primeira vista pela proposta do modelo que, além de esportivo, evidentemente, será o topo de linha da gama Pulse.


No detalhe, o freio a disco na dianteira (à esq.) e a roda traseira com freio a tambor (à dir.).

 

Antes da freada da Descida do Lago, tento provocar o piloto, que também é engenheiro de desenvolvimento da marca: “os freios traseiros são a tambor, será que eles dão conta?” A resposta dele: “você que vai me falar agora”. Foi o suficiente: uma bela freada forte, um contorno de curva sem esforço. E o Pulse Abarth seguiu pelo restante da volta tranquilo mesmo sob uma tocada esportiva, grudando nas curvas sem sequer cantar pneu.

Jornalistas se sucederam nas duas unidades por aproximadamente uma hora sem grandes pausas para resfriar os freios. Ninguém parece ter percebido indícios significativos de fading, embora o cheiro característico de freios e borracha de pneus tenha tomado conta do Box Zero de Interlagos. Cheiro de corrida de automóvel, alguém poderia dizer.

Preço? Antes de outubro, a Fiat não revela nem sob decreto.

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