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Might of Ra - É o fim dos motores à combustão? - Foto: divulgação/Audi

Might of Ra - É o fim dos motores à combustão? – Foto: divulgação/Audi

 

Com os números das vendas de veículos elétricos crescendo cada dia mais, a grande pergunta que paira na cabeça do consumidor é: será o fim dos motores a combustão? Os carros a gasolina e etanol estão com os dias contados? Apesar de ser um assunto evitado por muitos, o cuidado com o meio-ambiente virou pauta de vez no setor automotivo.

Desde as fabricantes de automóveis, até as empresas que fornecem peças para reposição dos veículos, a ordem é parar de emitir gases nocivos ao meio-ambiente. Segundo empresas do setor, a ideia é chegar no ano de 2050 com os veículos zero quilômetros livres dessas emissões.

Esse movimento é confirmado quando olhamos as vendas de veículos eletrificados. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram comercializados quase 50 mil veículos eletrificados em 2022. Em 2023, quase 20 mil unidades foram emplacadas entre os meses de janeiro e abril. 

Mas isso quer dizer que os motores a combustão estão com os dias contados? Conversamos com alguns especialistas do setor para saber o caminho que essa discussão está tomando e contamos tudo para você a seguir.

Ford Maverick Hybrid - Foto: divulgação/Ford

Ford Maverick Hybrid – Foto: divulgação/Ford

 

É o fim dos motores a combustão? 

Para falar sobre eletrificação, é preciso entender o que está por trás do assunto. A eletrificação foi a melhor forma encontrada por alguns países para iniciar o processo de descarbonização da frota para atingir a meta de zero emissões até 2050. Mas isso não quer dizer que a eletrificação será a melhor opção para todos os países. Cada localidade irá implementar as tecnologias que sejam mais adequadas para cada localidade. 

É o que afirma o diretor de Tecnologia e Chefe do Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Mahle para a América do Sul, Everton Lopes, que acredita que por conta das características e desafios diferentes, os países de forma geral terão soluções diferentes para descarbonizar a frota. “Temos singularidade entre os países, tem países com desafios diferentes ou que possuem outras soluções como o Brasil, por exemplo”, diz Everton.

O executivo ainda completa: “Países como Brasil e Índia, e localidades como sul da Ásia, oriente médio, África, toda América do Sul, Estados Unidos e Austrália vão depender bastante do motor a combustão”. 

Quem corrobora a fala de Everton Lopes é  Fabio Magrin, diretor da Unidade de Negócios Accelera e HHP da Cummins para América Latina, que afirma: “A Cummins acredita que o caminho para a descarbonização passa necessariamente pela diversificação. Não existirá uma solução única para um caminho zero emissão e zero carbono”, afirma Fabio

Um dos fatores que podem fazer o Brasil tomar um caminho diferente da eletrificação é a disponibilidade de soluções alternativas que não existem em outros países. Os biocombustíveis, que podem ser associados com a hibridização, tendem a manter os motores a combustão em nossa frota por muitos anos ainda e ainda assim atingir a meta de descarbonização no país.

 

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Quais combustíveis devem ser o futuro do Brasil? 

Quando se fala em combustíveis limpos, o Brasil é um dos países com grande potencial de produção graças ao etanol. Presente em nossos postos há muitos e muitos anos, o etanol produzido a partir da cana de açúcar tende a se tornar o principal combustível brasileiro e liderar a transição energética no país, podendo ser usado sozinho, ou sendo combinado com motores elétricos, transformando a frota do Brasil em híbrida.

Carlos Delich, Presidente da ZF América do Sul, afirma que a aposta nos biocombustíveis pode ser um caminho interessante para o país. “Uma alternativa interessante e disponível para o Brasil é o uso de biocombustíveis, como o etanol, que é menos poluente em comparação aos combustíveis fósseis. Sabemos da força do Brasil na produção do etanol e que sua matriz energética é favorável para a produção e uso desse biocombustível”, afirma Carlos. 

Além do etanol, outras soluções começam a se mostrar viáveis no Brasil, principalmente por conta das características geográficas do país. Para Fabio Magrin, o uso do hidrogênio verde também pode ser estratégico em nosso continente. “O hidrogênio verde como fonte de energia é uma solução que se mostra não só viável, como também estratégica para a nossa região”.

 

O que podemos esperar para o futuro?

Se você é um entusiasta, pode ficar tranquilo. A conclusão que podemos chegar é que, por ora, não está decretado o fim dos motores à combustão. Apesar disso, a tendência é de que eles passem a funcionar apenas com biocombustíveis ou então combinados com um motor elétrico. 

 

Texto: Daniel Palermo

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